Domingo, 28 de Junho de 2009
A Tormenta

Pintura de William Turner

 

   Vê? A criança já se foi.
 Você me disse que ainda era cedo,
    eu não pude esperar.
 Deixe as veias limpas,
     solte as agulhas que veneno levam ao teu sangue.
  Não!... Solte também a navalha.
 Ela apenas derrama o sangue,
   fere o corpo, mas não limpa a alma.
      É o fim amigo
  O fim de todas as vidas,
 de todas as alegrias.
   O fim das lembranças.
  E as dores?
 Não tem fim.
   Deixe.
     Deixe minha vida rolar por aí.
 Deixe meus sonhos dormirem nas estradas que aqui seguem.
   Pois onde dormem os sonhos,
      dormem também as esperanças.
  Ainda ouço os passos daquela criança
     Ouço gritos.
 De quem são?
    A noite... São da noite.
  Da escuridão. A tormenta.
   O frio das ruas.
  À chuva...
     leve a dor,
  leve também o medo dessa escuridão.
   A chuva cai.
 Caem também as lágrimas
    e se fazem perdidos os sorrisos.
  Ouço os sons da destruição.
 A morte...
       A vida...
  Quem sou?
        Quem somos?
   Perdidos na escuridão.
     Vê? A luz...
  Mas a chuva não para de cair
   As lágrimas não param de rolar
       E hoje,
 tudo ficará perdido no tempo e as lágrimas, com a chuva seguirão.

 

           By Oirona



publicado por oriona às 21:11
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6 comentários:
De M.Luísa Adães a 2 de Julho de 2009 às 16:37
Oriona

A tormenta da vida, nos persegue para além ,
do que é possível suportar.

Sofre-se, é certo,
Ama-se num dia
Esquece-se no outro.

E as lágrimas caem
por isto e por aquilo
e são levadas
e misturam-se à chuva...

Lindo o teu poema, de uma sensibilidade imensa.

Parabéns!

p.s. ainda estou em São Paulo.

Beijos,

Mª. Luísa



De Sonhosolitario a 9 de Julho de 2009 às 19:20
olá amiga oriona




aqui estou para dizer um
Hello e passe bem.

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um doce beijinho
com todo respeito
deste amigo virtual
sonhosolitario...`


De jpcfilho a 10 de Julho de 2009 às 10:03
Querida Oriona, a chuva cai no telhado do desespero, que não necessita navalhas, ou agulhas para chegar ao fluxo sanguíneo da alma, a chuva cai nas existências que mesmo quando escuras, momentos escuros, refrescam-se por instantes. se a alma está pálida, partida, não é necessário seccionar a veias. e ninguém sabe quem és, nem nunca saberão, se não amor, senão dor...
Lindos versos
beijos
João Costa Filho


De M.Luísa Adães a 10 de Julho de 2009 às 11:18

Já estou em Portugal!
o clima de São Paulo fez-me muito mal e vim para o médico.
Não sei se volto!
Não podia receber emails e por essa razão, nunca recebi o nº. do teu telefone - só o
encontrei quando da minha chegada a casa.´Foi uma pena...
Gostei das noticias que recebi tuas, directas ao blogs - só a essas podia ter acesso.

Vou regressar ao meu habitat, do qual saí bem contrariada e só. E estar só, nessa Metróple, é uma tragédia que arrasa os nervos e me deixou doente.

Vou tratar-me e espero continuar a minha vida.

Obrigada por te lembrares de mim.

Beijos da Mª. Luísa


De M.Luísa Adães a 19 de Julho de 2009 às 11:36
oriona

Volte sempre, com os seus poemas e a sua presença!

Maria Luísa


De daniel a 3 de Setembro de 2009 às 10:23
Belíssimo, puro, verdadeiro - e tão transparente quanto a água ou o cristal!
Tens toda a razão quando dizes que é necessário deixar as veias limpas.
Não existe arma que mate a alma do poeta! =)

Adorei!


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