Domingo, 28 de Setembro de 2008
Sonhar?

 

 

 

 

Flores que se espalham pelo chão
Enfeitam o enterro dos seus sonhos que morreram com medo de sonhar
Fecham-se janelas e o sol se apaga no escuro sombrio do teu ser
O cortejo corre pela avenida enquanto a chuva cai desordenadamente
Como navalhas cortam meu corpo que a tudo assiste
Num canto calado, sem pranto
Meus olhos cessaram de chorar
 
By Oriona


publicado por oriona às 23:08
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Caminhante

 

 caminho da vida street of life [Explorer #435] por Anderson $utherland PHOTOGRAPHY~~NO VIDEO.
 
Em meio a passos sôfregos e descrentes dos sonhos eu admiro a vida, as paisagens das telas que se passam ao vivo e que contam verdades e falsas verdades para ninar o dia.
Há perguntas e não respostas.
A dúvida fica parada no farol de uma avenida qualquer de São Paulo.
E o caminho segue o caminhante que não sabe onde irá chegar. Pelas esquinas o caminho se pergunta se está perdido, onde pode se encontrar?
As esquinas se calam, nada falam, espreitam o seu passar.
Já vai sem rumo. Ao fundo de uma igreja pára para rezar uma prece tão sem pressa nessa pressa de chegar.
E como não se sabe onde, segue ao longe olhando onde vai dar, não tem ponto de referência, vive tão só com essa ausência nesse seu olhar.

 

 

(escrito dia 27.09.2008 quando retornava para casa, entre Av. Paulista e Rebouças)



publicado por oriona às 18:54
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Domingo, 21 de Setembro de 2008
Não somente ficção nesta realidade

 

 

 

   A porta entreaberta escondia a escuridão daquele quarto, ainda podia se sentir o cheiro das rosas secas pelo tempo, espalhadas por todo o chão, as paredes choravam lembranças esquecidas, rogavam um pouco de paz, esperavam como ela, o nascer de mais um dia. A vitrola já não funcionava e os discos estavam todos quebrados, ao lado da cama a estante empoeirada guardava um único exemplar de poesias.

   A tristeza não morava ao lado e ela podia ouvir o bater descompassado do seu coração.
   As dobradiças enferrujadas da porta cantavam quando o vento soprava, vagarosamente, morbidamente.
   O tempo deixara marcas incertas, incertezas, medos interiores de si mesma.
   Sobre o chão, abraçada a sua tristeza ela chorava, sozinha, num canto, num quarto de solidão.

 



publicado por oriona às 18:20
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Visão - Carlos Drummond de Andrade

  

Vi em ti o poeta.

Abraçando-te, abracei imaterialmente o poeta.

Nunca nenhum outro me deu

a sensação de poesia transparente.

Não vi em ti o homem efêmero

sujeito aos safanões da vida.

Vi em ti o verso

- puro, luminoso, cristalino -

independente de ti, superior a ti,

acasalando no ar as suas células rítmicas.

 

Carlos Drummond de Andrade (Poesia Errante)



publicado por oriona às 01:10
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
O Perfume Derradeiro

 

O corte, o porte, das amenas figuras...

e os dotes.

fracotes, carregando potes de doces venenos

embriaga os pensamentos

e me convida para sentir o perfume derradeiro...

por inteiro, o sentido que não veio

O poeta rasga rosas...

corta laços...

enfeita os traços...

estreita os laços - abraços.

No poeta corre o veneno na veia

na teia de seus anseios

na vênus de cristal

corre o mal

e fica esse tal perfume derradeiro

que entorpece

enlouquece

as paixões.

 

 

By Oriona

 



publicado por oriona às 00:43
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O perfume

 

Ainda na penteadeira o vidro de perfume aberto,

roupas jogadas pelo chão.

Tão só quanto sempre fôra,

Lisa chora borrando a maquiagem mal feita



publicado por oriona às 00:19
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Domingo, 14 de Setembro de 2008
Pessoas são especiais

 

Caminham pelas ruas

Sozinhas, acompanhadas

Felizes, tristes às vezes

Quem são? Pessoas

Cada rosto um segredo

Quais são seus sonhos? Quem amam?

Ninguém sabe.

Na pressa do dia-a-dia, correria, ninguém te vê.

Às vezes um sorriso gentil

Uma alegre transparência

O seu véu se descobriu

Ônibus lotado, gritaria, as buzinas não param de tocar

Ninguém te espera, mas você sabe

Ela existe

Hoje um aperto de mão

Amanhã um amigo talvez

Pessoas vão e vem

No jardim da casa ao lado tem um girassol

E o sol já vai se esconder

Onde vai iluminar agora?

Eu não sei bem.

 



publicado por oriona às 23:53
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Sábado, 13 de Setembro de 2008
Eu, tu e a estrela que se nasceu

 

   No jardim encantado ela surgia, um brilho intenso, louca essa ventania e quão longe te trazes para perto de mim, amores, quereres, outrora poesia.

   As chamas que o fogo ardente o céu enfeitavam ao entardecer, a esta hora já anoiteceu, o negro do céu me traz você para a noite dos poetas, para o enlace encantado da tua alma junto a minha.

 

Este poema (ou simples texto) eu fiz dentro do ônibus a caminho do CCSP para o sarau astronômico que teve hoje, embora não tenha acontecido no jardim como programado, por causa do tempo, foi muito bom e gratificante estar lá, ao lado de muita música e poesia.

 

Oriona 12/13.09.2008



publicado por oriona às 04:49
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008
Espaço para prosa e poesia de Maria Luisa Adães

 

Este é o espaço para prosa e poesia de Maria Luisa Adães.

 

http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt

 

Independente do que possa acontecer,a poesia jamais morrerá em nossa alma, pois ela é a vida que nos move pela vida.

 

Oriona



publicado por oriona às 02:36
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008
...

 

O jardineiro sempre me via passar e se espantava quando todos os dias eu lhe pedia uma flor. Talvez ele tivesse curiosidade sobre minha pessoa, ou quem sabe querer saber o que eu faria com aquelas flores.
Todas as tardes eu passava em frente ao seu jardim:
- Quero a mais bela das flores do seu belo e encantado jardim.
E ele colhia talvez não a mais bela, porque se via em seu rosto, que em todo aquele jardim seus olhos admiravam cada uma que ali estavam, para ele não havia a mais bela, todas eram lindas. Ele me entregava a flor, eu o agradecia e antes que me perguntasse a quem eu iria presentear, eu corria, corria feliz pelo quarteirão e ia até o cemitério que ficava na cidade vizinha.
Ninguém a visitara, seu túmulo estava sempre como eu o deixara no dia anterior, incansavelmente sempre havia um dia anterior. As flores que eram o único pingo de vida que existia ali, pois nem eu próprio parecia mais ter vida, enfeitam e coloriam seu recanto. Eu a deixava bem próximo à sua foto e sempre que a olhava sentia que algo nos unira em um passado distante. Que passado seria esse? Poderia ser apenas ilusão de uma mente com loucos pensamentos. Mas eu me perdia nessa dúvida.
No início, minhas visitas eram acompanhadas a um pranto tão intenso, que seu túmulo era banhado por minhas lágrimas, mas nestes dias, venho te visitar com uma alegria imensa no coração. Parece até que estás sempre a me receber. Então toda noite a ti dedico um poema e o declamo com exaltada felicidade que me faço parecer criança cantando cantiga de roda.
Teria você feito parte de minha vida em algum momento? Ah...vãos pensamentos que correm sem direção... vou embora ao entardecer, quando o sol está se pondo num horizonte infinito ao olho humano, e não longe de ti, fico a contemplar as estrelas e pedir que te iluminem pela eternidade, e então todas as noites adormeço.

 

Data original_14.10.2007

 



publicado por oriona às 03:34
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